Enquanto Israel se blinda contra as retaliações legítimas do Irã, um "apartheid de abrigos" deixa a população palestina nativa completamente vulnerável. Em cidades ocupadas e vilas beduínas do Negev, o governo nega a construção de estruturas de proteção e chega a demolir abrigos improvisados feitos pela própria comunidade sob o pretexto de falta de licença. Relatórios oficiais confirmam a disparidade criminosa: enquanto bairros judeus contam com um abrigo para cada 273 residentes, comunidades árabes enfrentam a ausência total de locais seguros, forçando famílias a se esconderem em valas ou debaixo de tratores.
A exclusão não é apenas institucional, mas alimentada pelo racismo de civis que barram a entrada de árabes em abrigos públicos e privados. Relatos de Jerusalém Oriental e Haifa expõem o horror de mães e estudantes impedidos de se proteger sob o som de sirenes, muitas vezes por vizinhos judeus que trancam as portas ao ouvirem a língua árabe. Essa política de segregação transforma os habitantes originários da terra em escudos humanos de fato, uma vez que o Estado lhes nega o direito básico à sobrevivência que é garantido exclusivamente aos ocupantes euro-judeus.
Mesmo em instituições de ensino, o cenário é de negligência deliberada, com quase metade dos estudantes em áreas beduínas sem qualquer proteção adequada. O sistema judiciário israelense lava as mãos, afirmando que não pode obrigar o regime a fornecer segurança para essas localidades, enquanto verbas de desenvolvimento são desviadas para repressão policial. O que se vê na Palestina ocupada é a face mais cruel de um regime supremacista: um Estado que seleciona, pela etnia, quem tem o direito de viver e quem deve permanecer exposto à morte no campo de batalha.
Fonte: Fepal | (Foto: Maya Alleruzzo/AP)

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