Opinião: Oposição e situação, como ambas poderiam avançar no cenário político sobralense

 Por Diego Sousa*



Atualmente, em Sobral, quem constrói a luta de forma mais concreta pelos trabalhadores — especificamente no serviço público — e atrai a solidariedade da cidade, é o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Sobral (Sindsems), na figura de seu presidente, Gilcelio Paiva, e de toda a sua diretoria. Desde a gestão anterior, o sindicato ocupa as ruas e a porta da prefeitura para cobrar direitos negados e defender conquistas que precisam ser resguardadas.

É nesse ponto que provoco: se a oposição — com ou sem mandato — quisesse avançar na luta, somaria forças e estaria presente nas atividades desse sindicato. O Sindsems, entidade com mais de duas décadas de história, posiciona-se de forma independente frente aos erros de qualquer gestão municipal. Da mesma forma, colabora propositivamente ao pautar políticas públicas avançadas em benefício dos servidores e do serviço público.

Nas capitais, é comum vermos parlamentares — de direita a esquerda — somando às lutas sindicais. Recentemente, acompanhei atos onde estiveram presentes tanto a deputada estadual Larissa Gaspar quanto o deputado estadual e pré-candidato ao Senado, Alcides Fernandes. Ambos em atividades puxadas por sindicatos.

Aqui, a realidade é outra. Temos uma oposição parlamentar mansa demais no plenário e distante das lutas populares nas ruas. Já aqueles grupos sem representatividade — majoritariamente campos da esquerda e da extrema-direita — também não se aproximam, limitando sua atuação quase exclusivamente ao campo virtual.

Questiono: que mal há em visitar a representação dos servidores, conhecer a sede e inteirar-se das pautas vigentes? Muitas vezes, falta apenas vontade. Para não ser injusto, nos bastidores, apurei que a vereadora Pâmela Nara (Podemos) demonstra interesse sobre a situação dos educadores, mas também não marca presença nos atos.

Se a oposição quisesse construir um grande movimento oposicionista, começaria ouvindo a representação dos servidores, já que a gestão ignora essas demandas. Aliás, considero um erro tático da prefeitura não ouvir o sindicato, nem que fosse nos bastidores; resolver pautas menores, que dependem apenas de boa vontade política, seria uma forma de ganhar pontos e evitar desgastes desnecessários.

Ser oposição não é uma tarefa complexa; na verdade, é o lado mais fácil da política. Não é preciso ser aquela oposição puramente verborrágica. Basta pensar um pouco mais e, acima de tudo, querer fazer acontecer.

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*Diego Sousa é sociólogo, assessor de imprensa e analista político.

Texto publicado originalmente em 30 de junho de 2026

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