Muammar Gaddafi foi um dos líderes africanos mais emblemáticos do início do século XXI, defensor ardoroso da soberania e da unidade do continente — inclusive por meio de propostas ousadas, como a criação de uma moeda africana independente do domínio financeiro ocidental. Sua morte em 2011, durante a intervenção da OTAN na Líbia, ficou marcada por cenas que chocaram o mundo e levantaram debates sobre os limites da intervenção externa em assuntos internos de um país. A pergunta que ele teria feito em seus últimos momentos — “O que eu te fiz?” — continua sendo lembrada por muitos como um apelo à reflexão sobre soberania e respeito entre nações.
Hoje, em outro contexto geopolítico, o presidente venezuelano Nicolás Maduro foi capturado por forças dos Estados Unidos em uma operação que governos e juristas de várias partes do mundo consideram uma violação do direito internacional e da soberania venezuelana, e que o próprio Maduro descreveu como um sequestro por parte das autoridades norte-americanas. Esse episódio torna ainda mais pertinente olhar para a trajetória de Gaddafi como um alerta: situações em que potências externas agem diretamente sobre outros países podem criar precedentes perigosos que afetam a estabilidade regional e a autodeterminação dos povos, tornando imperativo que a comunidade internacional acompanhe de perto e reafirme os princípios do direito internacional.

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